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Euriale Voidela Conselheira Empresarial Falar com Euriale
Experiência do cliente

Quase toda empresa se acha mais madura em CX do que é

Por que eu parei de confiar em questionário de autoavaliação e passei a pedir evidência

Por Euriale Voidela · · 5 min de leitura

Quase toda empresa se acha mais madura em CX do que é

Já apliquei muito questionário de maturidade. Aquele modelo em que a empresa responde de 1 a 5 sobre as próprias práticas, e no final sai um gráfico de radar bonito para colocar na apresentação.

Parei de usar. O resultado quase nunca batia com o que eu encontrava depois, quando entrava na operação.

Não era má-fé. É que a autoavaliação mede percepção da liderança sobre a própria empresa, e essa percepção é otimista por natureza. Quem responde tem orgulho do trabalho, conhece as exceções positivas, lembra do projeto que deu certo. Ninguém marca 2 num item em que a equipe se esforça muito.

O teste que eu faço agora

Hoje a régua que uso funciona de outro jeito. A nota só sobe quando existe comprovação.

Se a empresa diz que tem jornada mapeada, eu peço o mapa e pergunto quando foi a última atualização. Se diz que o NPS orienta decisão, peço a ata da reunião em que a decisão foi tomada. Se diz que tem visão única do cliente, peço para abrir o CRM e procurar um cliente específico junto comigo.

Isso muda tudo. Empresas que se colocavam em 4 costumam terminar em 2 ou 3. E quase sempre a conversa fica mais produtiva depois desse susto, porque para de discutir onde a empresa está e começa a discutir o que fazer.

É esse cruzamento de entrevista estruturada, evidência e dado real da operação que virou o método que uso, o CX Maturity Intelligence, com uma régua de seis níveis.

Os seis níveis, sem rodeio

CX1, inicial. A empresa só ouve o cliente quando ele reclama. Não há pesquisa estruturada nem indicador acompanhado com regularidade.

CX2, reativo. Existe pesquisa e existe indicador. O número circula em relatório, não pauta reunião de decisão e não tem dono.

CX3, emergente. O tema entra em reunião, gera discussão e às vezes gera ação. Sem cadência fixa, sem registro formal, sem orçamento próprio.

CX4, estruturado. Existe instância formal, com regimento, cadência, pauta e deliberação registrada. A decisão tem dono, prazo e acompanhamento.

CX5, avançado. A experiência informa planejamento, orçamento e reporte ao conselho.

CX6, referência. A empresa compreende, antecipa e age antes de o cliente reclamar.

A maioria das empresas brasileiras de médio e grande porte que eu avalio fica entre o 2 e o 3. E o salto para o 4 é o mais difícil de todos, porque não se resolve com ferramenta nem com treinamento. Depende de criar instância de decisão, que é assunto de governança.

O que costuma inflar a autoavaliação

Três coisas aparecem sempre.

A primeira é confundir ferramenta com processo. Ter uma plataforma de pesquisa contratada não significa ter escuta estruturada, do mesmo jeito que ter CRM não significa ter visão única do cliente. Software instalado é ponto de partida, não resultado.

A segunda é confundir exceção com padrão. Toda empresa tem aquele gerente que resolve, aquele time que encanta, aquele caso que virou história interna. Isso é ótimo e não é maturidade. Maturidade é o que acontece quando essa pessoa sai de férias.

A terceira é confundir intenção com prática. A liderança acredita de verdade no discurso de centralidade no cliente. O que ela não percebe é que esse discurso não chegou ao orçamento, à meta do comercial nem ao critério de promoção.

Por que insisto em dado da operação

Porque é o único lugar onde a empresa não consegue se enganar.

O tempo de rechamada mostra se o problema foi resolvido na primeira vez. A taxa de transferência mostra se a jornada foi desenhada ou improvisada. O motivo de contato repetido mostra onde o processo está furado, e mostra melhor do que qualquer pesquisa, porque o cliente que liga de novo já cansou de responder pesquisa.

Junto isso com entrevista de liderança e com escuta de quem opera. Quando as três fontes divergem, a divergência costuma ser o achado mais valioso do diagnóstico inteiro.

O uso honesto de uma régua

Uma régua de maturidade não serve para dar nota. Serve para definir o próximo passo.

Saber que a empresa está em CX2 não é derrota. É informação. O que seria derrota é montar um projeto de personalização com IA em cima de uma operação que ainda não consegue responder quem é o cliente que ligou ontem.

Cada nível tem um movimento próprio, e pular etapa custa caro. Eu vi empresa investir pesado em automação antes de mapear a jornada, e o resultado foi automatizar o processo errado com muito mais eficiência.


O CX Maturity Intelligence é o método que uso nesse diagnóstico. Se quiser entender em que estágio a sua empresa está, a primeira conversa não tem custo.